March 21, 2011
Renasceu!

escrito em 13/07/2010

Alguns céticos e insensíveis podem argumentar: ‘Mas porque tanto destaque pro time que sequer conseguiu ficar entre os 3 primeiros?’. Se a análise for fria e apenas baseada nos números finais isso talvez pudesse ser levado em conta. Mas felizmente o futebol não é assim.

Se é especial poder acompanhar o surgimento de boas novas seleções na Copa do Mundo, o que dizer então do privilégio de ver o renascimento de uma bi-campeã das Copas? A Celeste é uma espécie de ‘entidade’ na história do futebol, tanto que, mesmo fora do cenário de destaque do esporte há anos, ainda assim é uma das poucas seleções também conhecida pelo apelido (no caso, Celeste), e não só pelo nome do país. Basta ter o mínimo conhecimento do cenário que antecedeu o surgimento do Mundial da FIFA (1930, exatamente no Uruguai) para entender a grande importância desse pequeno país sulamericano.

O Uruguai foi a primeira grande seleção da história a se destacar, quando conquistou o bicampeonato olímpico (1924 e 1928), o que abriu caminho para a América do Sul ter a importância que tem no cenário do futebol. Veio então a primeira Copa do Mundo, disputada em Montevidéu, e a Celeste confirmou o favoritismo sagrando-se a primeira campeã. O segundo título viria em 1950, no Maracanazzo. Se esse episódio é considerado a maior tragédia do futebol brasileiro, ao mesmo tempo é a maior vitória da história do futebol uruguaio, e uma das maiores façanhas das Copas. Na época muitos críticos brasileiros argumentaram ‘Como pode um país com apenas 2 milhões de habitantes vencer o outro que tem mais de 50 milhões?’, e os uruguaios sabiamente respondiam ‘Em campo só entram onze de cada lado!’.

Particularmente partilho da opinião de Nelson Rodrigues, quando diz que ‘no futebol o que procuramos é o drama!’, posso dizer que naquela tragédia surgiu o ‘país do futebol’, a grande paixão dos brasileiros. Para exemplificar: Ao ver seu pai chorar a derrota de 1950 ao pé do rádio, Pelé, na época aos 9 anos, prometeu que lhe daria uma Copa do Mundo, o que de fato se concretizou 8 anos depois, com o menino, então com 17 anos, desesperado atrás de um telefone para se comunicar com o pai após aquela final contra a Suécia. Chega a ser irônico, com a derrota naquele fatídico Maracanazo nasceu a maior potência do futebol e, alguns anos depois, a seleção que saiu vitoriosa veria o futebol do seu país entrar em uma triste decadência.

Se o êxodo dos jogadores para a Europa é um dos males que assola o futebol brasileiro e, mais ainda, o argentino, então imaginem o estrago que isso causa em um país com população pouco maior que 3 milhões de habitantes. Os maiores clubes do país estão mais do que falidos, as jovens promessas partem cada vez mais cedo para o Velho Continente e a preços irrisórios. Juntemos isso a ‘politicagem’ de cartolas, um campeonato nacional falido, e encontraremos o triste cenário que há anos encontra-se o futebol do país. Os quarenta anos sofríveis e despercebidos da Celeste nas Copas é o maior reflexo de tudo isso.

Com todos esses aspectos, me digam se é possível amar o futebol e não ficar feliz com a campanha da Celeste? Não apenas por ter chegado as semifinais quarenta anos depois, mas principalmente por ter renascido com ídolos (Forlán, Lugano, Suárez…) e principalmente, abrilhantado a quase cinzenta Copa de 2010.


por Regislândia Melo em 13/07/2010

March 21, 2011
Apenas uma questão de fidelidade!

escrito em 13/07/2010

Desde que me conheço por gente e acompanho futebol (isso tem quase vinte anos) sei da ‘dívida’ que a Copa do Mundo tem com a Holanda. Assim como a Hungria em 1954 e o Brasil em 1982, foi a seleção que ‘encantou o mundo’ mas não ganhou o título. E o caso da laranja é ainda mais acentuado: foi vice-campeã seguidamente, 1974 e 1978, sendo que na primeira não só ‘encantou o mundo’, mas também revolucionou a forma de se jogar futebol. aAs táticas nunca mais seriam as mesmas depois do ‘carrossel holandês’, ou o ‘futebol total’, como preferia denominar o técnico Rinus Michells.

Não bastassem esses argumentos, ainda há o fato de sempre ter se mantido entre as grandes seleções não apenas com resultados, mas também apresentando um futebol de qualidade, com jogadores cheios de técnica. Com uma história tão rica e importante chega a ser injusto essa seleção não ter sequer uma estrela em sua camisa laranja; mas, pela enésima vez: futebol não é tribunal de justiça.

Torcer pela Holanda, como segunda seleção, sempre foi uma opção muito simpática nas Copas e adotada pela grande maioria dos torcedores, como uma espécie de ‘merecimento’ por tudo o que já haviam feito pelo futebol.

Então veio a Copa de 2010, e a laranja parecia mais disposta do que nunca a ganhar a tão cobiçada estrela, porém, padeceu do mesmo mal que predomina os técnicos atuais: abdicar do bom futebol para assim obter resultados.

O time fugiu das características históricas da seleção, os únicos talhados de técnica eram Robben e Sneijder, mas os fracos adversários camuflaram essas características, o ‘jogo feio’ só pôde começar a ser visto nas quartas de final contra o Brasil. Não que a Holanda não tenha merecido aquela vitória, pelo contrário, a ótima atuação de Sneijder, autor dos dois gols, argumenta por si só. Mas a postura e forma de atuação da laranja em nada lembrava as seleções anteriores. O técnico Bert Van Marwijk obteve ótimos resultados nos dois anos de trabalho, chegando a Copa do Mundo com uma invencibilidade que perdurava desde as eliminatórias.

Foi na partida final contra a Espanha que a ‘descaracterização’ holandesa pôde ser inegavelmente percebida. O time entrou em campo com uma prioridade clara: Não deixar a Espanha jogar! Em uma própria constatação/confissão da superioridade adversária. Pior ainda foi a forma adotada para parar o adversário. Sim, a falta é um recurso do jogo, mas o bom senso e o respeito também são.

E se a quantidade exacerbada de faltas (para o nível de uma Copa do Mundo) foi descabida, a assintosidade das mesmas foi absurda. E aqui entram as críticas ao árbitro Howard Webb, deixou a ‘pancadaria’ rolar solta nos primeiros minutos de jogo. A Espanha não pôde jogar e, claro, acabou ‘entrando na pilha’ dos holandeses. Inadimissível um jogador maldoso como Van Bommel terminar a Copa do Mundo sem um único cartão vermelho. Mas se o jogo foi ‘amarrado’ durante o tempo normal, na prorrogação a Espanha confirmou a superioridade, mesmo que o primeiro e unico gol do jogo tenha saído aos doze minutos do segundo tempo da prorrogação.

Com toda sua história tão rica, a laranja não merecia que seu primeiro título mundial viesse da forma que se desenhava nessa Copa do Mundo, seria uma incoerência, não, melhor, uma infidelidade gigantesca com sua história.


por Regislândia Melo em 13/07/2010

March 21, 2011
Loucura Celestial

escrito em 02/07/2010

ÉPICO! Não existe outra palavra adequada para iniciar o post sobre o jogo de hoje entre Uruguai e Gana pelas quartas de final!

Era o jogo dessa fase que prometia menos, e acabou entrando para a história das Copas.

Gana é um time forte fisicamente, bem aplicado taticamente, e com atacantes perigosos. Tirando a força física, o Uruguai também possui todas essas caractéristicas, porém com algo a mais: Garra! Uma vontade gigantesca de continuar no Mundial e trazer seu país de volta ao cenário de glórias do futebol. A famosa raça uruguaia sempre foi conhecida, mas o que seus jogadores tem demonstrado nessa Copa do Mundo definitivamente transforma essa lenda em fato mais do que concreto.

O Uruguai ficou sem seu capitão, a alma da equipe, ainda no primeiro tempo quando foi substituído por contusão. Mas Lugano orientava seus companheiros até mesmo sentado no banco de reservas. De lá ele viu Gana abrir o placar nos acréscimos do primeiro tempo, o que já parecia difícil ganhava ares de impossibilidade. Mas Forlán mudou o cenário quando empatou o jogo no começo do segundo tempo, numa linda cobrança de falta!

O que se viu na sequência foi um jogo aguerrido de ambos os lados, com o Uruguai sofrendo um pouco mais em sua defesa, já desfalcada por lesões e suspensões por cartões amarelos. Então veio a prorrogação, e a Celeste teve que lutar contra o desgaste físico jogando com um adversário que parecia nada sentir nesse quesito e que ‘voando’ para o ataque deparava-se com uma defesa desfalcada de sua figura central e líder daquele time.

Quando parecia que haviam conseguido bravamente segurar o 1 a 1, o último lance do jogo quereria mudar esse feito. A bola ficou ‘viva’ dentro da pequena área uruguaia e parecia ter o gol como destino, mas debaixo do gol estava o herói do jogo, o uruguaio que com as duas mãos defendeu a cabeçada que selaria a classificação ganesa para as seminifinais. Não, não era o goleiro Muslera, era Luís Suarez, o artilheiro do time que ‘marcou seu gol mais importante’, a defesa que impediu o gol africano. Suárez foi expulso, um penalti foi macardo para Gana, e na gangorra do futebol: Gyan virou ‘vilão’ ao perder o penalti, e Suárez o herói!

O Uruguai venceu na disputa de penaltis, com o decisivo sendo cobrado no melhor e literal estilo ‘Loco Abreu’, e o assim como em 1950 quando calou o Maracanã, calava-se o Soccer City que em peso torcia pelos africanos.

Ouvi muito gente argumentando sua torcida por Gana ‘porque eles mereciam, são um país pobre, o unico africano e etc’… Não gosto desse tipo de visão, afinal, futebol não é um tribunal, é um esporte como outro qualquer. E nele a tradição é sim muito importante, e independente do que aconteça daqui pra frente, o Uruguai já recuperou a sua, que há tempos encontrava-se perdida, mais de quarenta anos para ser exata.

A ‘Loucura Celestial’ no fim do jogo, e durante toda essa Copa, contagia não só os uruguaios, mas todos os amantes do futebol pelo renascimento desse pequeno, porém importantíssimo, país na história desse esporte.

por Regislândia Melo em 02/07/2010

March 21, 2011
Soy Celeste

escrito em 26/06/2010

Como é bom poder desfrutar de momentos tão emocionantes que só uma Copa do Mundo pode proporcionar. O renascimento da Celeste foi um belo presente dado para todos os amantes do futebol e de sua história, e não somente aos uruguaios.

Após nada menos que quarenta anos, o Uruguai pode comemorar sua ida para as quartas de final do Mundial, desde 1970 a Celeste sequer avançava à 2º fase.

Nunca é demais ressaltar: É um pequeno país com pouco mais de 3 milhões de habitantes e que já há algum enfrenta graves problemas populacionais, os jovens abandonam o país e partem para a Europa a procura de melhores empregos. E o que tudo isso afeta no futebol? Em tudo!

Obvio que quanto menor a população menores são as chances de opções para surgirem talentos ou até mesmo jogadores comuns, e isso reflete na seleção. Sem contar o problema do êxodo de jogadores ainda muito jovens para a Europa, se o problema afeta os clubes brasileiros e argentinos, imaginem os uruguaios; há anos sofrem demasiadamente com esse problema, sequer conseguem organizar um campeonato nacional decente por conta dele, apesar de ter clubes com grande tradição.

A Celeste assim é chamada porque na década de 20 conseguiu o feito de ganhar duas medalhas de ouro olímpicas, fato que colocou pela primeira vez a América do Sul no cenário do futebol, pois como naquele tempo ainda não existia a Copa do Mundo eram os jogos olímpicos que determinavam quem era a melhor seleção do mundo. E foi justamente no Uruguai que a Copa do Mundo nasceu, em 1930, e a Celeste Olímpica consagrou-se como primeira campeã. Seu segundo título viria em 1950, no famoso Maracanazzo.

Com uma história tão rica quanto bonita era triste demais ver o Uruguai fora do cenário mundial, que ela própria ajudou a construir. Que Forlan, Suarez, Lugano e etc continuem lutando na África do Sul para que continuemos a vê-la no papel de protagonista da história e não mais uma mera figurante! Avanteeee, Celeste!!

por Regislândia Melo em 26/06/2010

March 21, 2011
Deselegantes!

escrito em 01/06/2010

A falta de elegância da nossa seleção não é apenas dentro das quatro linhas.

“É horrivel… Parece aquelas bolas de Supermercado!” Julio César.

“A outra bola é igual mulher de malandro: você chuta e ela continua ali. Essa de agora é igual patricinha, não quer ser chutada de jeito nenhum!” Felipe Melo.

Que a bola da Copa está sendo muito criticada não só pelos brasileiros é fato, mas a forma extrema a qual essas críticas acontecem, e que certas vezes chegam a beirar o deboche, deve ser lamentada, principalmente quando lembramos que os jogadores em questão são patrocinados há anos pela marca rival à fabricante da bola. Querendo ou não, nessas críticas fica implicita a imparcialidade e intencional propaganda contrária.

 

Já a infeliz comparação feita por Felipe Melo não poderia passar despercebida por aqui. Obviamente quero acreditar que a infeliz somatória ‘mulher + chute’ e os esteriótipos tão machistas e retrógrados citados pelo próprio não fazem parte do caráter do jogador, mas uma comparação melhor e mais apropriada (já que essa além de tudo foi horrível) e, principalmente, um pouco de bom senso não fariam mal algum. Talvez aí esteja o problema: Esperar bom senso de Felipe Melo!

Nada tão espantoso quanto o papelão promovido no dia de sua convocação p/ o Mundial da África. Não dá pra ser tão otimista a ponto de esperar boas declarações de alguém que pergunta para Paulo Vinícius Coelho se ele é jornalista, se acompanha determinado campeonato europeu e pra fechar com chave de ouro: O manda pegar números!

“Como é o nome da seleção? É Zimbábue, né?” Robinho.

Jogador de futebol tem que se preocupar em jogar e nada mais, certo? Errado! Não vivemos mais na década de 30, onde o amadorismo no esporte imperava e conseguir qualquer informação de conhecimentos gerais era tão difícil se comparado com os dias atuais. E a máxima de que ‘não existe mais bobo no futebol’ ? A incoerência (Sim, Dunga!!!) em pregar respeito ao adversário e no minuto seguinte perguntar o nome do próprio é inaceitável. Pior ainda quando esse adversário é um país africano e estamos a dias da primeira Copa naquele continente. E senão fosse o bastante, ainda mais triste é constatar que, já há dias na África do Sul, a grande maioria dos nossos jogadores desconhecem o Apartheid.

E se não é de interesse deles a quem deveria preocupar que o mínimo de conhecimento, ou melhor, que a ignorância dos nossos craques, não fosse exposta dessa forma vexatória? A comissão brasileira, os inúmeros dirigentes que lá estão! Mas cá entramos denovo no otimismo descabido: Como esperar uma preocupação desse nível de pessoas responsáveis por cobrar 5 milhões de dólares por um amistoso contra o miserável Zimbábue? País em que dos 12 milhões de habitantes, 90% estão desempregados, 24% são portadores do vírus HIV, e a inflação é tão alta que sequer pode ser medida.

Não é querer demais (ou talvez seja sonhar demais?) que dados como esses tivessem sido fornecidos aos atletas antes do amistoso, afinal, se esse tipo de conhecimento foi ganho por muitos justamente através desse jogo e do adversário em questão, porque logo eles, os protagonistas dessa história, ficam a inércia?

Talvez seja mesmo sonhar demais que essa preocupação exista quando quem ocupa o posto de chefe da delegação brasileira, cargo que nunca é demais ressaltar a importância ao lembrar do Dr. Paulo Machado de Carvalho exercendo a função em 1958, atualmente está sob a responsabilidade deste senhor:

André Sanchez e Paulo Machado de Carvalho, quanta diferença!


por Regislândia Melo em 01/06/2010

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